⚠️ Despreparo empresarial: a base de cadastro está torta, e é ela que faz a nota travar
1. Um estudo da IOB com mais de 2,3 milhões de produtos aponta que 93% chegam com alguma inconsistência cadastral ou tributária na transição para o IBS e a CBS
- O levantamento da IOB analisou mais de 2,3 milhões de produtos de empresas do regime normal e apontou que 93 por cento deles apresentaram algum tipo de inconsistência cadastral ou tributária relacionada à transição para o IBS e a CBS.
- O problema não mora no cálculo do imposto lá na frente, e sim no cadastro que alimenta a nota: classificação fiscal desatualizada, código de produto sem o enquadramento novo, informação que não conversa com as tabelas da Reforma. É o erro silencioso, que ninguém percebe até o dia em que a nota é rejeitada.
- O dado se encaixa direto no calendário: a partir de 3 de agosto, a nota sem os campos de IBS e CBS corretamente preenchidos passa a ser rejeitada para as empresas do regime normal, e cadastro torto é exatamente o que gera campo errado na hora da emissão.
🏭 Impacto setorial: dentro do agro, quem carrega a produção pode ver a conta subir
2. Um estudo da Rumo Brasil estima aumento médio de 414,44% na carga tributária das transportadoras do agronegócio com a chegada da CBS, um impacto superior a R$ 144 milhões
- Segundo o estudo da consultoria Rumo Brasil, as empresas de transporte voltadas ao agronegócio podem registrar aumento médio de 414,44 por cento na carga tributária com a implementação da CBS, a Contribuição sobre Bens e Serviços que substitui PIS e Cofins.
- O impacto financeiro estimado é superior a R$ 144 milhões apenas com a CBS, de acordo com Rafael Brito, CEO da Rumo Brasil.
- O número mostra a outra face da Reforma para a cadeia do agro: enquanto o pequeno produtor rural conta com isenção e insumos como fertilizantes e defensivos têm redução, o elo de logística que leva a produção pode trocar um regime cumulativo leve por um tributo de base ampla e sentir a conta pesar.
🗺️ Frente federativa: o Comitê Gestor do IBS ganha comando e abre a porta aos municípios
3. Em reunião de 7 de julho, o Comitê Gestor do IBS tratou da definição de quem vai comandar as suas diretorias e da entrada de servidores dos municípios no órgão
- Em reunião virtual realizada em 7 de julho, o Comitê Gestor do IBS colocou como tema central a definição de quem vai comandar as diretorias do colegiado, o passo que tira o órgão do desenho no papel e o coloca para funcionar com comando definido.
- Entrou na pauta também a cessão de servidores públicos dos estados e dos municípios para integrar o Comitê Gestor, sinal de que a montagem do órgão, antes concentrada nas secretarias estaduais de Fazenda, agora abre espaço formal para a participação dos municípios.
- O encontro deu sequência ao que os secretários estaduais já vinham tratando na frente do Comsefaz, e move a discussão do "quais comissões existem" para o "quem responde por cada área", que é o que vai definir, na prática, de onde sai cada regra do IBS.
🚨 Deadline do mês: 3 de agosto, quando a nota sem IBS e CBS passa a ser rejeitada, e faltam 24 dias
Hoje, 10 de julho, fecha a janela mais curta da semana: é o prazo para as tabelas da versão 1.60 do Informe Técnico entrarem em produção nos sistemas emissores. Mas o relógio que realmente aperta o mês é o de 3 de agosto. Até 2 de agosto permanece o período de flexibilização; a partir de 3 de agosto, a NF-e e a NFC-e sem os campos de IBS e CBS preenchidos passam a ser rejeitadas para as empresas do regime normal, que não são optantes do Simples Nacional. Antes disso, 31 de julho, faltando 21 dias, encerra o prazo de adequação dos sistemas de emissão de nota ao regulamento do IBS. Juntando com o estudo de cadastro de hoje, o recado é claro: não basta o sistema estar atualizado, o cadastro de produtos precisa estar limpo, senão o campo sai errado e a nota é rejeitada do mesmo jeito. E vale o ponto de método de sempre: se algum desses prazos aperta a sua rotina de um jeito que você julga inviável, o caminho não é reclamar sozinho, é levar a sugestão, por escrito, ao seu conselho de classe, o CRC, a OAB, a entidade que representa a sua categoria, que consolida as demandas e as encaminha à administração tributária.
💡 Hook do dia
Junta as peças de hoje e aparece uma verdade incômoda sobre estar pronto. A empresa atualizou o sistema, o contador estudou a Reforma, e mesmo assim 93 de cada 100 produtos ainda chegam com cadastro torto. O transportador do agro acha que "o agro tem alívio" e pode levar um susto de débito na conta da CBS. E o órgão que vai escrever as regras do imposto ainda está definindo quem manda em cada diretoria. Percebe o fio comum? Estar pronto na Reforma não é ter feito uma coisa grande, é ter conferido as coisas pequenas: o cadastro de cada produto, a conta líquida de cada cliente, a regra que ainda vai sair. Tá? O seu diferencial não é saber a lei de cor, é descer ao detalhe que trava a nota enquanto ainda dá tempo de arrumar.
📅 Próximas águas a observar
- Hoje, 10 de julho: entrada das tabelas da versão 1.60 do Informe Técnico em produção nos sistemas emissores. É o dia de confirmar com o fornecedor de software se o emissor já foi atualizado.
- Até 31 de julho, a 21 dias: encerramento do prazo de adequação dos sistemas de emissão de nota ao regulamento do IBS.
- 3 de agosto, a 24 dias: a NF-e e a NFC-e sem os campos de IBS e CBS passam a ser rejeitadas para as empresas do regime normal. É o marco que exige cadastro limpo, e não só sistema atualizado.
- Comitê Gestor do IBS: acompanhar a definição do comando das diretorias e a entrada dos municípios, porque é de lá que sairão as regras operacionais que você vai aplicar.
📌 Para acompanhar e se aprofundar
- Acompanhe o Termômetro todo dia no blog: blog.professorfellipeguerra.com.br/blog
- A varredura de cadastro de produtos é dos serviços que mais valem agora, ainda no ano de teste: é trabalho consultivo, que se cobra bem e que evita a nota travada do cliente lá na frente.
- As inscrições do curso Dominando a Reforma Tributária estão abertas: professorfellipeguerra.com.br/reforma-tributaria-v2
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