Contabilidade, Direito Tributário e Reforma Tributária
🌡️ Termômetro de sábado, 11 de julho de 2026
Termômetro Reforma Tributária: 11/07/2026
Sábado de leitura de fundo, com três recados que saem do calor da nota fiscal e vão para a mesa de decisão do escritório. O primeiro é uma data que quase ninguém marcou ainda: a janela de setembro em que o optante do Simples decide se vai recolher IBS e CBS pelo regime regular já a partir de 2027. O segundo mostra a categoria com a mão no barro do regulamento, com o Comitê Gestor do IBS somando 847 propostas e a Receita passando de 4 mil sugestões na consulta pública. E o terceiro é um retrato da alta gestão, com uma pesquisa da Deloitte ouvindo 148 empresas e revelando um dado que interessa direto a quem contrata: 90 por cento têm dificuldade de achar profissional qualificado. Por baixo de tudo, o relógio de agosto seguindo firme.
Por Prof. Fellipe Guerra
Resumo do dia: Briefing de sábado 11/07, mais editorial e voltado à decisão de fundo do escritório, com três movimentos que definem o próximo semestre do seu cliente e do seu negócio. O primeiro é uma janela de calendário pouco comentada: entre 1º e 30 de setembro de 2026, o optante do Simples Nacional poderá escolher recolher o IBS e a CBS pelo regime regular, fora do DAS, com efeitos já a partir de 1º de janeiro de 2027, uma opção que pode ser cancelada até o último dia de novembro e depois vira irretratável, conforme a Lei Complementar 214 de 2025 e a Resolução CGSN 186 de 2026. O segundo mostra a categoria participando da construção da norma: o Comitê Gestor do IBS recebeu 847 propostas de alteração e aprimoramento para o regulamento e a Receita Federal contabilizou mais de 4 mil sugestões sobre a CBS, contribuições de empresas, contribuintes e entidades enviadas na consulta pública encerrada em 15 de junho. O terceiro é um retrato da alta gestão: pesquisa da Deloitte com 148 empresas, divulgada em 9 de julho, aponta que 89 por cento já fizeram estudos aprofundados sobre a Reforma, 51 por cento esperam aumento de carga, 72 por cento elevaram o investimento em tecnologia e 90 por cento relatam dificuldade de contratar profissional qualificado. Some a isso uma reflexão sobre a precificação dos próprios honorários contábeis e o relógio de agosto, com a adequação dos sistemas ao regulamento do IBS vencendo em 31 de julho, a 20 dias, e a rejeição da nota sem IBS e CBS a partir de 3 de agosto, a 23 dias.
Bom dia, e bom sábado. Depois de uma semana em que a Reforma cobrou o detalhe operacional da nota, hoje eu proponho um passo atrás, para olhar as decisões de fundo que definem o segundo semestre do escritório. Tem uma janela de calendário que quase ninguém marcou ainda e que vai exigir conversa com o cliente do Simples. Tem a categoria colocando a mão no texto do regulamento, num volume que mostra o tamanho do interesse. Tem um retrato da alta gestão das empresas que revela onde está o gargalo real, e ele não é só de sistema, é de gente. E, por baixo de tudo, o relógio de agosto seguindo firme. É um briefing de leitura, para você chegar na segunda com o mapa das próximas escolhas na cabeça.
🧭 Decisão do trimestre: a janela de setembro em que o Simples escolhe o regime regular do IBS e da CBS
1. Entre 1º e 30 de setembro de 2026, o optante do Simples Nacional poderá escolher recolher o IBS e a CBS pelo regime regular, com efeitos já a partir de 2027
A opção pelo Simples Nacional para 2027 foi antecipada, de forma excepcional, para o período de 1º a 30 de setembro de 2026, e é dentro dessa mesma janela que o optante poderá escolher recolher o IBS e a CBS pelo regime regular, fora do DAS.
A escolha tem efeitos a partir de 1º de janeiro de 2027, pode ser cancelada até o último dia de novembro de 2026 e, passada essa data, se torna irretratável para o ano, conforme a Lei Complementar 214 de 2025 e a Resolução CGSN 186 de 2026.
Na prática, nasce um Simples híbrido: a empresa continua no Simples para os tributos federais e estaduais de sempre, mas passa a apurar o IBS e a CBS por dentro do modelo de créditos e débitos, o que muda quem consegue repassar crédito para o cliente na cadeia.
Comentário do Prof.Essa é daquelas datas que passam batidas e depois cobram caro, então marque agora: setembro de 2026 é a janela em que cada cliente seu do Simples decide se fica no modelo fechado ou se passa a recolher o IBS e a CBS pelo regime regular. E não é escolha de fé, é de conta. O Simples embute o tributo no DAS e não gera crédito cheio para quem compra do seu cliente; quando o cliente vende para outra empresa, que precisa do crédito de IBS e CBS para não pagar imposto em cascata, ficar no Simples fechado pode empurrar esse comprador para um concorrente que dá crédito. Por outro lado, quem vende para o consumidor final, que não aproveita crédito nenhum, em geral está mais bem servido no Simples de sempre. O serviço que eu recomendo montar entre julho e agosto é uma triagem da sua carteira de optantes do Simples: separe quem vende para empresa de quem vende para o consumidor final, e leve para os primeiros uma simulação do híbrido antes de setembro chegar. Quem decide com planilha na frente escolhe certo; quem deixa para setembro decide no susto. E repare no detalhe do prazo: dá para cancelar até o fim de novembro, depois trava para o ano, então a janela real de conversa com o cliente é agora, não na virada.
🏢 A categoria com a mão no texto: o regulamento do IBS e da CBS somou milhares de sugestões
2. O Comitê Gestor do IBS recebeu 847 propostas para o regulamento e a Receita Federal passou de 4 mil sugestões sobre a CBS na consulta pública
O Comitê Gestor do IBS informou ter recebido 847 propostas de alteração e aprimoramento para o regulamento do imposto, enquanto a Receita Federal contabilizou mais de 4 mil sugestões relacionadas à regulamentação da CBS.
As contribuições foram enviadas por contribuintes, empresas e entidades de classe durante a consulta pública, cujo prazo de envio se encerrou em 15 de junho de 2026.
O volume dá a dimensão do que está em jogo nessa fase: é no regulamento, e não mais na lei, que se decide o detalhe fino de apuração, aproveitamento de crédito, emissão de documento e obrigação acessória que você vai aplicar no dia a dia.
Comentário do Prof.Eu trago esse número, 847 propostas ao IBS e mais de 4 mil sugestões à CBS, porque ele desmente uma ideia perigosa que ainda circula, a de que a Reforma "já está pronta e é só esperar". Não está. A lei complementar deu a moldura, mas o quadro, o detalhe que faz a sua rotina, está sendo pintado agora, no regulamento, e essa consulta pública mostra que empresas e entidades entenderam isso e foram lá escrever. A lição prática para você é dupla. Primeiro, acompanhe o que sai desse ajuste, porque um regulamento com milhares de sugestões em cima quase sempre muda em pontos que afetam apuração e crédito, e você não quer descobrir a mudança pela nota travada. Segundo, e mais importante, participe. Se na sua prática você já enxerga um ponto do regulamento que não fecha, que vai gerar dúvida ou litígio, o caminho não é reclamar sozinho no grupo de WhatsApp, é levar a observação, por escrito e fundamentada, ao seu conselho de classe, o CRC, a OAB, a entidade que representa a sua categoria, que consolida as demandas e as encaminha a quem escreve a norma. Foi exatamente esse canal que somou as milhares de sugestões desta rodada. Quem senta à mesa ajuda a escrever a regra; quem fica de fora só aprende a conviver com ela.
⚠️ Retrato da alta gestão: o gargalo da Reforma não é só de sistema, é de gente
3. Uma pesquisa da Deloitte com 148 empresas mostra que 90% têm dificuldade de contratar profissional qualificado e 72% já elevaram o investimento em tecnologia
Segundo a pesquisa da Deloitte, que ouviu 148 empresas, 89 por cento já realizaram estudos aprofundados sobre os efeitos da Reforma em seus negócios e 51 por cento esperam aumento da carga tributária, o que pode se traduzir em repasse de preços ou redução de margens.
No campo da preparação, 72 por cento afirmaram que cresceu o investimento em tecnologia frente ao ano anterior, 77 por cento pretendem ampliar esse investimento em 2026, e 36 por cento já utilizam inteligência artificial na área tributária.
O ponto que mais salta é de mão de obra: 90 por cento das empresas relatam dificuldade de contratar profissionais qualificados, o gargalo que transforma a Reforma numa oportunidade concreta para quem já domina o tema.
Comentário do Prof.Repare que essa pesquisa da Deloitte olha a alta gestão, as empresas de porte, e mesmo nesse andar mais preparado, onde 89 por cento já fizeram estudo aprofundado e 72 por cento já gastaram mais em tecnologia, o gargalo que ninguém resolve com software aparece nítido: 90 por cento não acham gente qualificada para tocar a Reforma. Guarde esse número, porque ele é a sua notícia mais importante da semana, e não a mais barulhenta. Enquanto o mercado discute alíquota e sistema, o que está realmente em falta é profissional que entenda o novo modelo na ponta do lápis. Para o contador e o advogado que estão me lendo, isso é um mapa de carreira e de negócio: o valor não está em ser mais um que "ouviu falar da Reforma", está em ser quem domina a apuração de crédito, a classificação de cada operação e a simulação de impacto, porque é disso que 90 por cento das empresas estão com falta. E tem o outro lado do dado, o dos 51 por cento que esperam carga maior: não deixe o seu cliente engolir esse número de susto. Aumento de débito não é aumento de carga líquida enquanto você não somar o crédito que a base ampla abre. O profissional que refaz essa conta, empresa por empresa, é exatamente o que está em falta no mercado.
🧮 O impacto que bate na sua própria mesa: a precificação dos honorários contábeis
4. Uma análise recoloca um efeito pouco discutido da Reforma: o aumento da carga operacional do departamento fiscal e o que isso faz com o honorário do escritório
A análise, assinada por Otávio C. Freitas, argumenta que a CBS amplia a não cumulatividade para mais empresas e exige análise fiscal detalhada de documentos que antes tinham relevância apenas contábil, elevando a carga operacional do departamento fiscal.
O texto sustenta que os critérios de honorário baseados só no regime tributário do cliente ficam defasados, e que a precificação passa a considerar quantidade de documentos fiscais, volume de compras, número de fornecedores, horas efetivamente trabalhadas e complexidade operacional.
Há ainda o desafio da comunicação: boa parte desse trabalho a mais é invisível para o cliente, o que dificulta justificar reajuste sem uma conversa clara sobre o que mudou por trás da nota.
Comentário do Prof.Esse é o assunto que a gente evita, mas que a Reforma vai colocar na mesa de todo escritório: o seu próprio preço. O raciocínio do artigo está certo e conversa direto com a pesquisa da Deloitte de hoje. Se a CBS espalha a não cumulatividade, cada nota de entrada do seu cliente vira análise fiscal, e não mais um lançamento que passava batido. Isso é hora de trabalho que hoje ninguém está cobrando, porque o modelo de honorário da maioria foi calibrado para um mundo de PIS e Cofins cumulativos, onde a entrada quase não dava trabalho. O erro que eu peço para você não cometer é absorver esse custo calado, no susto, quando o volume apertar em 2027. Comece agora a medir: quantos documentos por cliente, quantos fornecedores, quantas horas o novo modelo vai consumir. Precifique pelo trabalho real, e não pelo regime do cliente, e prepare a conversa com o argumento certo, o de que o serviço mudou de natureza, deixou de ser escrituração e virou análise fiscal de crédito. E aqui vale o mesmo recado de método: se você sente que a categoria inteira precisa recalibrar tabela e defender o valor do serviço diante da nova carga de trabalho, leve o tema ao seu conselho de classe, o CRC, a OAB, a entidade que representa você, que é quem tem voz para tratar disso no coletivo. O contador que sai da Reforma valorizado é o que entendeu, antes dos outros, que passou a entregar mais e precisa cobrar por isso.
🚨 Deadline do mês: 3 de agosto, quando a nota sem IBS e CBS passa a ser rejeitada, e faltam 23 dias
📅 Base: calendário de obrigatoriedade da NF-e/NFC-e, Receita Federal e Comitê Gestor do IBS · contabeis.com.br
O relógio que aperta o mês continua sendo o de 3 de agosto: a partir dessa data, a NF-e e a NFC-e sem os campos de IBS e CBS preenchidos passam a ser rejeitadas para as empresas do regime normal, que não são optantes do Simples Nacional, e faltam 23 dias. Antes disso, 31 de julho, a 20 dias, encerra o prazo de adequação dos sistemas de emissão de nota ao regulamento do IBS. Este fim de semana é uma das últimas janelas calmas para conferir, cliente a cliente do regime normal, se o emissor já foi atualizado e se o cadastro de produtos está limpo, porque sistema atualizado com cadastro torto ainda emite campo errado e a nota é rejeitada do mesmo jeito. E vale o ponto de método de sempre: se algum desses prazos aperta a sua rotina de um jeito que você julga inviável, o caminho não é reclamar sozinho, é levar a sugestão, por escrito, ao seu conselho de classe, o CRC, a OAB, a entidade que representa a sua categoria, que consolida as demandas e as encaminha à administração tributária.
💡 Hook do dia
Junta os recados de hoje e aparece um fio comum que muda a sua semana. A janela de setembro do Simples é uma decisão de conta, não de fé. As milhares de sugestões no regulamento provam que a regra ainda está sendo escrita, e dá para escrevê-la junto. E a pesquisa da Deloitte entrega o dado que vale ouro: 90 por cento das empresas não acham gente qualificada. Percebe? A Reforma não está premiando quem sabe repetir a lei, está premiando quem sabe fazer a conta na ponta do lápis, triar a carteira, simular o crédito, precificar o próprio serviço pelo trabalho real. Tá? O seu diferencial neste segundo semestre não é ter ouvido falar da Reforma, é ser exatamente o profissional que 9 em cada 10 empresas estão procurando e não encontrando.
📅 Próximas águas a observar
Até 31 de julho, a 20 dias: encerramento do prazo de adequação dos sistemas de emissão de nota ao regulamento do IBS.
3 de agosto, a 23 dias: a NF-e e a NFC-e sem os campos de IBS e CBS passam a ser rejeitadas para as empresas do regime normal. É o marco que exige cadastro limpo, e não só sistema atualizado.
De 1º a 30 de setembro: janela em que o optante do Simples decide sobre recolher o IBS e a CBS pelo regime regular, com efeitos em 2027 e cancelamento possível até o fim de novembro.
Regulamento do IBS e da CBS: acompanhar o que muda depois das 847 propostas ao IBS e das mais de 4 mil sugestões à CBS, porque ajuste em regra de crédito e apuração aparece justamente aí.
A triagem da carteira de optantes do Simples, separando quem vende para empresa de quem vende para o consumidor final, é um serviço consultivo que se cobra bem e precisa estar pronto antes da janela de setembro.
O sábado de hoje pediu para a gente levantar a cabeça do calor da nota e olhar as escolhas de fundo: a decisão do Simples que vence em setembro, a regra que ainda está sendo escrita e o profissional que o mercado procura e não encontra. É nas decisões de fundo, e não na correria do dia, que você constrói o escritório que sai da Reforma mais forte. Segunda eu volto com você, mesma maré, de olho no relógio que bate. Fiquem com Deus, e bom fim de semana.
Comente. Sua leitura conta.
Discorde, complemente, sugira uma notícia que faltou.
Comentários em breve.
Mande sua leitura por Instagram ou e-mail.
Comente. Sua leitura conta.
Discorde, complemente, sugira uma notícia que faltou.
Mande sua leitura por Instagram ou e-mail.