⚠️ Despreparo empresarial: o medo de gerir dois sistemas
1. A maior preocupação das empresas na transição não é a alíquota nova, é ter que tocar o sistema atual e o novo ao mesmo tempo: 60%, aponta a pesquisa Tax do Amanhã, da Deloitte
- A pesquisa Tax do Amanhã, da Deloitte, mediu o que mais preocupa as empresas na transição da Reforma, e o topo da lista é claro: 60% apontaram a "gestão simultânea do modelo atual e do novo sistema" como a maior dor. É o período de convivência entre os tributos velhos e os novos, que se estende ao longo da transição, virando o principal foco de atenção.
- Logo atrás aparecem dores que são de negócio, não só de fisco: 39% citaram as "negociações sobre preço e margem com fornecedores", 33% as "negociações com clientes" e 31% o "prazo para operacionalizar os novos tributos". A Reforma deixou de ser tema só do departamento fiscal e entrou na conversa comercial da empresa.
- Do outro lado, a mesma pesquisa mostra o que as empresas esperam ganhar: 67% esperam "simplificação dos impostos", 67% "maior transparência da carga tributária", 64% "redução das obrigações acessórias" e 55% a "redução do custo de compliance tributário". A expectativa é alta, e expectativa alta cobra entrega.
💰 Crédito e transição: o seu saldo de PIS/Cofins
2. A Receita Federal esclareceu que os saldos credores de PIS/Cofins não evaporam quando a CBS entrar: continuam válidos, com base no art. 378 da LC 214/2025, e podem ser usados, ressarcidos ou compensados
- O recado oficial é direto: mesmo com a extinção do PIS e da Cofins, prevista para janeiro de 2027 com a entrada plena da CBS, os saldos credores acumulados dessas contribuições permanecem válidos. Eles poderão compensar débitos da própria CBS, ser ressarcidos em dinheiro ou compensados com outros tributos federais, pela via do PER/DCOMP Web. A base citada é o art. 378 da Lei Complementar nº 214/2025, somado aos arts. 49 a 52 da Instrução Normativa RFB nº 2.055/2021.
- O tamanho da conta explica por que o tema é sensível: a Receita estima cerca de 100 mil empresas com créditos de PIS/Cofins, somando algo perto de R$ 140 bilhões. A boa notícia para o pequeno é a distribuição: cerca de 70% das empresas têm saldo inferior a R$ 100 mil e 90% registram créditos abaixo de R$ 1 milhão.
- O ponto de atenção fica para quem tem divergência. A Receita identificou cerca de 12 mil empresas com inconsistências nos créditos declarados, envolvendo aproximadamente R$ 44 bilhões. É crédito que pode ser questionado, e crédito questionado na virada vira passivo escondido se ninguém olhar antes.
🏭 Impacto setorial: o setor de serviços
3. O setor de serviços, que responde por cerca de 70% do PIB, sai do ISS para a alíquota cheia do IVA, com reduções de 60% ou 30% só para alguns recortes e o velho problema da folha que não gera crédito
- A leitura parte de um peso que assusta: serviços respondem por cerca de 70% do PIB brasileiro, e incluem educação, saúde, tecnologia, comunicação, turismo, finanças, consultoria e transporte. Na lógica nova, a CBS substitui PIS e Cofins e o IBS unifica ICMS e ISS, levando boa parte desse universo, que hoje paga ISS em alíquotas baixas, para a alíquota cheia do IVA Dual.
- As reduções existem, mas são recorte, não regra geral. Pela Lei Complementar nº 214/2025, há 60% de redução para educação, saúde, dispositivos médicos, higiene pessoal e cultura; 30% de redução para os profissionais de profissão regulamentada com conselho fiscalizador, como advogados, engenheiros e contadores; e alíquota zero para casos como educação no Prouni, ICTs sem fins lucrativos e transporte público coletivo urbano. Quem não cai num desses recortes vai para a alíquota integral.
- E há o ponto que mais dói no serviço: a folha de salários não gera crédito. Empresa intensiva em mão de obra, que é a cara do setor, tem pouco insumo para creditar e, ao mesmo tempo, a maior parte do custo concentrada em pessoas, justamente o que não vira crédito. Para quem está hoje no Simples ou no PIS/Cofins cumulativo, é a conta que precisa ser refeita.
🚨 Deadline do mês: sugestões ao regulamento até 15/06, às 18h (faltam 9 dias)
Este é o último fim de semana inteiro antes de a janela fechar. O prazo para enviar sugestões aos regulamentos do IBS e da CBS pelo Fórum "Diálogos da Regulamentação" termina na segunda-feira da semana que vem, dia 15 de junho, às 18h. Depois disso, esta rodada de contribuição se encerra e o texto segue para a próxima versão. Os três temas de hoje conversam direto com esse prazo: a mecânica de crédito na transição, o tratamento do setor de serviços e a forma como a convivência entre os dois sistemas vai ser operada são exatamente os pontos que ainda comportam ajuste no regulamento.
💡 Hook do dia
Pegue um cliente de serviço da sua carteira e responda a uma pergunta só: ele cai em algum recorte de redução, os 60% da saúde e educação, os 30% da profissão regulamentada, ou vai para a alíquota cheia? Se você souber responder de cabeça, com o enquadramento certo, você já está à frente. Se precisar conferir, ótimo, esse é o trabalho deste fim de semana. Porque a conta do serviço na Reforma se decide no recorte, e o profissional que classifica cada cliente antes de 2027 é o que orienta a decisão de preço. O que descobre junto com o cliente, depois que a fatura chegou alta, virou espectador. Tá?
📅 Próximas águas a observar
- 15/06, 18h: fim do prazo de sugestões aos regulamentos do IBS e da CBS, pelo Fórum "Diálogos da Regulamentação" (Receita Federal e Comitê Gestor do IBS).
- 16/06: módulo 4 (Cadastro) da capacitação nacional do CFC com a Receita Federal, quando as aulas passam a ser semanais; na sequência, 23/06 (Obrigações Acessórias) e 30/06 (Apuração Assistida).
- 01/08/2026: encerramento da carência de penalidades sobre os campos de IBS e CBS no documento fiscal (faltam 56 dias).
- 1º a 30/09/2026: janela de opção do Simples Nacional pelo regime regular de IBS e CBS, com efeitos a partir de 01/01/2027.
- 01/01/2027: entrada plena da CBS e extinção do PIS e da Cofins, quando os saldos credores passam a ser usados sob as novas regras de transição.
📌 Para acompanhar e se aprofundar
- Acompanhe o Termômetro todo dia no blog: blog.professorfellipeguerra.com.br/blog.
- Se você quer dominar a Reforma na prática, do conceito à conta de crédito e ao enquadramento setorial do cliente, as inscrições do curso Dominando a Reforma Tributária estão abertas.
- Para acompanhar a Reforma em comunidade, com encontros e troca entre profissionais, conheça a Comunidade do Guerra.
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