Resumo do dia: Briefing de sexta 24/07, com o foco na preparação operacional que antecede a apuração dos novos tributos. Três frentes se somam nesta semana. Em matéria de 21 de julho, o portal Contadores destaca que o desafio da Reforma começa antes da apuração: as empresas precisam diagnosticar a versão do ERP, a qualidade dos dados mestres, as customizações e as integrações, além de revisar tesouraria e automações financeiras para o split payment. Em artigo de 22 de julho, o Contábeis lista três controles contábeis essenciais, o de revisar o plano de contas, o de conciliar mensalmente os saldos e o de integrar contabilidade, fiscal e financeiro. E, no setorial, o Fenafisco, em 20 de julho, alerta que o agronegócio vai conviver com os sistemas tributários antigo e novo ao mesmo tempo, com a obrigatoriedade de inscrição no CNPJ para produtores rurais pessoas físicas enquadrados como contribuintes do IBS e da CBS, enquanto itens da cesta básica tendem a permanecer beneficiados com redução de alíquotas. Por baixo de tudo, o relógio: 31 de julho, a 7 dias, encerra a tolerância do preenchimento facultativo dos campos de IBS e CBS, e 3 de agosto, a 10 dias, a alíquota-teste de 1%, sendo 0,1% de IBS e 0,9% de CBS, torna-se obrigatória para o regime regular, com rejeição da nota que sair sem os campos.
Bom dia, e boa sexta. A semana fecha com um fio que amarra três matérias diferentes num mesmo recado: o trabalho pesado da Reforma não está na hora de apurar o imposto, está antes dela, na arrumação da casa. É o ERP que precisa aguentar os novos fluxos, é o plano de contas que pede revisão, é a tesouraria que muda de lógica por causa do split payment, e é o agronegócio que vai ter que conviver com dois mundos tributários ao mesmo tempo. Nada disso aparece na tela no dia da apuração; tudo isso se resolve nas semanas que antecedem. E o relógio de agosto segue batendo por baixo de tudo. Vamos ao que interessa.

🧰 A preparação que vem antes da apuração: do ERP ao plano de contas

1. O desafio da Reforma começa antes da apuração dos impostos: o ERP precisa suportar os novos fluxos, e o primeiro passo é diagnosticar a versão do sistema, a qualidade dos dados mestres e as integrações

📅 Publicado em 21/07/2026 · Fonte: contadores.cnt.br
  • A reportagem sustenta que a Reforma exige que o ERP passe a suportar novos fluxos financeiros, regras de negócio, integrações e modelos de cálculo, e que isso não se resolve na hora de apurar, e sim num trabalho anterior de adequação.
  • O ponto de partida indicado é um diagnóstico do ambiente tecnológico, para avaliar a versão do ERP utilizada, a qualidade dos dados mestres, o nível de customizações e as integrações existentes.
  • Some-se a isso a frente financeira: a matéria orienta revisar processos de tesouraria, automações financeiras e a forma como o dinheiro circula na operação, justamente por causa do split payment, o pagamento dividido que muda o momento em que o tributo sai do caixa.
Comentário do Prof.Eu insisto muito nisso e vou repetir: a Reforma não é um evento do dia da apuração, é um projeto das semanas anteriores. Quando chegar 3 de agosto e a nota tiver que sair com os campos de IBS e CBS, quem não fez o diagnóstico do ERP antes vai descobrir o problema no pior momento, com a emissão travada. Então a leitura prática aqui tem três camadas, e vale para o contador que atende carteira e para a empresa que tem sistema próprio. A primeira é a versão do sistema: pergunte hoje ao seu fornecedor se o seu ERP já está na release que contempla os campos novos, porque atualização de versão não se faz na véspera. A segunda são os dados mestres, o cadastro de produtos, de clientes e de fornecedores, porque campo novo na nota puxa informação de cadastro, e cadastro sujo hoje vira nota rejeitada depois. A terceira é a tesouraria: com o split payment, aquele valor de imposto que antes ficava alguns dias no seu caixa como capital de giro deixa de ficar, e isso muda o seu fluxo. Não é assunto só de TI, é assunto de caixa. Se o seu fornecedor de sistema está atrasado nessa entrega e isso ameaça a sua operação, esse é exatamente o tipo de gargalo que merece ser levado, por escrito, ao seu conselho de classe, o CRC, a entidade que representa você, que consolida essas queixas e as encaminha a quem coordena a implementação.

2. Contábeis lista três controles essenciais para o contador atravessar a transição: revisar o plano de contas, conciliar mensalmente os saldos e integrar contabilidade, fiscal e financeiro

📅 Publicado em 22/07/2026 · Fonte: contabeis.com.br
  • O primeiro controle é revisar o plano de contas, para classificar melhor as operações e acomodar as novas naturezas que a Reforma traz à contabilidade.
  • O segundo é conciliar mensalmente os saldos, como forma de dar confiabilidade às demonstrações e não deixar diferença acumular ao longo do ano.
  • O terceiro é integrar contabilidade, fiscal e financeiro, porque informação divergente entre a emissão do documento, o meio de pagamento, a apuração e a escrituração é fonte certa de inconsistência. O artigo amarra esses pontos às Normas Brasileiras de Contabilidade.
Comentário do Prof.Repare que o item anterior fala do sistema e este fala da contabilidade, e os dois se completam. De nada adianta o ERP emitir a nota certa se o plano de contas não tem onde pendurar as novas operações de IBS e CBS, e de nada adianta um plano de contas bonito se contábil, fiscal e financeiro contam três histórias diferentes sobre a mesma operação. Dos três controles, o que eu colocaria no topo da sua lista é a conciliação mensal. Em 2026 a alíquota-teste é de 1% e não gera desembolso, então é grande a tentação de deixar a conferência para depois. Não deixe. É agora, com valor pequeno e sem cobrança, que você aprende a bater o que a nota destacou de IBS e CBS com o que a escrituração registrou, e chega em 2027, quando a coisa passa a valer dinheiro, com o processo azeitado em vez de começar a aprender no susto. Trate 2026 como o seu ano de ensaio pago pela casa: o erro aqui custa uma correção, o mesmo erro lá na frente custa imposto. Monte o seu roteiro de fechamento mensal já incluindo a conciliação dos novos campos, e faça disso rotina antes que ela vire urgência.

🏭 Impacto setorial: o agronegócio vai conviver com dois mundos, e o produtor rural pessoa física caminha para ter CNPJ

3. Fenafisco alerta que o agronegócio conviverá com o sistema tributário antigo e o novo ao mesmo tempo, e que o produtor rural pessoa física enquadrado como contribuinte de IBS e CBS terá inscrição obrigatória no CNPJ

📅 Publicado em 20/07/2026 · Fonte: fenafisco.org.br
  • O alerta central é a convivência simultânea: durante a transição, o agronegócio precisará operar com o sistema tributário antigo e o novo ao mesmo tempo, revisando processos, sistemas e documentos fiscais em paralelo.
  • Há um ponto que pega muita gente de surpresa no campo: a obrigatoriedade de inscrição no CNPJ para produtores rurais pessoas físicas que se enquadrem como contribuintes do IBS e da CBS.
  • Na outra ponta, a matéria pondera que itens da cesta básica tendem a permanecer beneficiados com redução de alíquotas, enquanto parte do setor enfrentará aumento de carga, num efeito que não é uniforme.
Comentário do Prof.Esse item é um bom lembrete de que a Reforma não chega igual para todo mundo, e o agronegócio é o retrato disso. Duas mensagens práticas para quem atende o setor. A primeira é a do CNPJ: se você tem cliente produtor rural que hoje opera como pessoa física e vai se enquadrar como contribuinte de IBS e CBS, a inscrição no CNPJ deixa de ser opcional, e isso reorganiza a vida fiscal dele por inteiro, da emissão de documento ao aproveitamento de crédito. Não é papelada de última hora; é decisão de estrutura, e o momento de conversar com esse cliente é agora, não em 2027. A segunda é a da não uniformidade: no mesmo cliente você pode ter uma linha de produto da cesta básica que sai beneficiada e outra que sai com carga maior, então a análise de impacto tem que ser feita operação a operação, não no atacado. Quem só olha o resultado geral perde a chance de reorganizar o mix e de orientar a formação de preço com antecedência. E a regra de sempre para o que trava: dúvida de enquadramento que comporta duas leituras, principalmente nessa fronteira entre pessoa física e jurídica no campo, leve por escrito ao seu conselho de classe, o CRC, a OAB, a entidade que representa você, enquanto o regulamento ainda admite ajuste.

🚨 Deadline do mês: 31 de julho, a 7 dias, encerra a tolerância do preenchimento facultativo, e 3 de agosto, a 10 dias, a alíquota-teste de 1% passa a ser obrigatória no regime regular

📌 Base: cronograma da Reforma Tributária do Consumo · contadores.cnt.br

O relógio segue como estava, e vale reforçar por que ele conversa direto com as três matérias de hoje. Em 31 de julho, a 7 dias, encerra a fase em que a ausência dos campos de IBS e CBS na nota não gera rejeição, e em 3 de agosto, a 10 dias, o preenchimento passa a ser obrigatório para as empresas do regime regular, com a alíquota-teste de 1%, sendo 0,1% de IBS e 0,9% de CBS. Regime regular, aqui, são as empresas do Lucro Real e do Lucro Presumido, não optantes do Simples Nacional. O ponto que amarra tudo é este: as tarefas de bastidor de que falamos hoje, o diagnóstico do ERP, a limpeza dos dados mestres, a revisão do plano de contas, não são projetos para setembro, são a condição para a nota sair certa já na primeira semana de agosto. Quem trata a preparação como algo para depois da largada troca a ordem dos fatores e corre o risco de parar a emissão. E se algum desses prazos aperta a sua rotina de um jeito que você julga inviável, o caminho não é o desabafo, é levar a sugestão, por escrito, ao seu conselho de classe, o CRC, a OAB, a entidade que representa a sua categoria, que consolida as demandas e as encaminha à administração tributária.

💡 Hook do dia

Tem uma inversão que separa quem vai atravessar agosto tranquilo de quem vai atravessar no aperto, e ela cabe numa frase: o trabalho da Reforma acontece antes da apuração, não durante. O contador que pensa que o esforço começa quando o imposto for calculado já perdeu a corrida, porque a nota certa de 3 de agosto depende do ERP atualizado, do cadastro limpo e do plano de contas revisado, e nada disso se faz na véspera. O ano de 2026 é o seu ensaio pago pela casa, com alíquota de 1% e sem cobrança: é agora que você erra barato e aprende, para chegar em 2027 com o processo azeitado. Quem usa esse tempo se prepara; quem espera a conta chegar, apanha. De que lado você quer estar em agosto, tá? Prazo, o Fisco marca. Chegar pronto, quem decide é você.

📅 Próximas águas a observar

  • 31 de julho, a 7 dias: encerra a tolerância do preenchimento facultativo dos campos de IBS e CBS nos documentos fiscais eletrônicos.
  • 3 de agosto, a 10 dias: a alíquota-teste de 1% torna-se obrigatória para o regime regular, e a nota que sair sem os campos de IBS e CBS passa a ser rejeitada.
  • 1º a 30 de setembro: janela em que o optante do Simples Nacional decide entre o regime híbrido e o regime regular de IBS e CBS, com efeitos já em 2027.
  • Novembro (expectativa): previsão de publicação da segunda versão dos regulamentos do IBS e da CBS, com ajustes técnicos; cronograma ainda não confirmado oficialmente pela Receita Federal.

📌 Para acompanhar e se aprofundar

  • Acompanhe o Termômetro todo dia no blog: blog.professorfellipeguerra.com.br/blog
  • A tarefa de alto retorno desta sexta cabe numa lista de três linhas: ligue para o fornecedor do seu ERP e confirme por escrito se a versão que você usa já contempla os campos de IBS e CBS, rode uma varredura nos seus cadastros de produtos e clientes para achar o que está incompleto, e inclua a conciliação dos novos campos no seu roteiro de fechamento mensal ainda em 2026, enquanto o valor é 1% e o erro custa barato.
  • As inscrições do curso Dominando a Reforma Tributária estão abertas: professorfellipeguerra.com.br/reforma-tributaria-v2
A sexta arremata a semana com uma lição simples de sequência: a Reforma se ganha no bastidor. O ERP atualizado, o cadastro limpo, o plano de contas revisado e a conciliação virando rotina são o que faz a nota sair certa quando o relógio virar em agosto, e é tudo trabalho de agora, não de depois. Quem entende que o esforço vem antes da apuração chega em 3 de agosto operando; quem espera a conta chegar para se mexer, chega correndo. Enquanto muita gente ainda olha só para o dia da largada, você já está arrumando a casa. Boa sexta, bom fim de semana, e na segunda eu volto com você, mesma maré, de olho no relógio que bate. Fiquem com Deus.

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