Resumo do dia: Briefing de sábado 18/07, mais editorial e voltado à decisão de fundo do escritório, com três movimentos que ligam a norma à operação e o relógio de agosto. O primeiro vem do setor de tecnologia: as entidades Brascom, Fenainfo, ABES e Afrac divulgaram nota técnica alertando que o prazo até a obrigatoriedade de 3 de agosto é apertado, que persistem indefinições sobre IPI, Imposto Seletivo, Simples Nacional e split payment, e que os campos de IBS e CBS na NFS-e ainda não foram implementados por vários municípios, num semestre em que o setor acompanhou 386 normas fiscais entre janeiro e junho de 2026, sendo 116 diretamente ligadas à Reforma. O segundo é setorial: a Câmara Brasileira da Indústria da Construção, a CBIC, colocou a Reforma em fase decisiva e convocou encontro para 30 de julho, com o presidente Eduardo Aroeira Almeida à frente, destacando que a ampliação do aproveitamento de créditos pode trazer ganhos de eficiência para as empresas. O terceiro é de mercado: em artigo de 16 de julho, o professor da FGV Eurico Marcos Diniz de Santi reforça que a CBS e o IBS já são realidade em transformação, que 2026 é um período de testes e adaptação em que os contribuintes não serão penalizados, e que os eixos a observar são a integração entre os fiscos, a expansão da Nota Fiscal de Serviços eletrônica nacional e a necessidade de atualização técnica de advogados, contadores e empresas. E o relógio: 31 de julho, a 13 dias, encerra a tolerância do preenchimento facultativo, e 3 de agosto, a 16 dias, a alíquota-teste de 1% passa a ser obrigatória para o regime regular.
Bom dia, e bom sábado. Hoje o briefing é de leitura de fundo, daquelas que valem mais lidas com o café do que no meio da correria da semana. Os três recados de hoje têm um fio comum, e não é a alíquota: é quem constrói e quem opera o cano por onde a Reforma vai passar. O setor de software fiscal foi a público dizer, com todas as letras, que o prazo de agosto está apertado. A indústria da construção marcou reunião decisiva e já olha para o crédito. E um dos nomes que mais estudou tributação no país lembra que a virada de verdade está na integração dos fiscos, não na tabela de percentuais. Por baixo de tudo, o relógio de agosto seguindo firme. Vamos ao que interessa.

🚨 Deadline do mês: 31 de julho, a 13 dias, encerra a tolerância do preenchimento facultativo, e 3 de agosto, a 16 dias, a alíquota-teste de 1% passa a ser obrigatória no regime regular

📌 Base: Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 1, de 22 de dezembro de 2025, e orientação da Receita Federal · contabeis.com.br

O calendário não mudou, e é ele que organiza a leitura de hoje. Em 31 de julho, a 13 dias, encerra a tolerância para o preenchimento facultativo dos campos de IBS e CBS nos documentos fiscais eletrônicos, e em 3 de agosto, a 16 dias, o preenchimento passa a ser obrigatório para o contribuinte do regime regular, com a alíquota-teste de 1%, sendo 0,1% de IBS e 0,9% de CBS, sem efeito de arrecadação neste primeiro momento. Regime regular, aqui, são as empresas do Lucro Real e do Lucro Presumido, não optantes do Simples Nacional. Quem lê os três itens abaixo com essas duas datas na cabeça entende por que a conversa da semana toda foi sobre o encanamento, e não sobre o quanto se paga.

💻 Tecnologia e documento fiscal: o setor que constrói o sistema avisa que o prazo aperta

1. As entidades de tecnologia Brascom, Fenainfo, ABES e Afrac divulgaram nota técnica alertando que o prazo até 3 de agosto é curto e que persistem indefinições, num semestre em que acompanharam 386 normas fiscais, 116 delas da Reforma

📅 Publicado em 16/07/2026 · Fonte: contabeis.com.br
  • As entidades registram que, entre janeiro e junho de 2026, o setor acompanhou 386 normas fiscais, sendo 116 diretamente relacionadas à Reforma Tributária, um volume que dá a medida do trabalho de adaptação que recai sobre quem desenvolve os sistemas.
  • A nota aponta indefinições ainda em aberto sobre IPI, Imposto Seletivo, Simples Nacional e split payment, e alerta que os campos de IBS e CBS na Nota Fiscal de Serviços eletrônica ainda não foram implementados por parte dos municípios.
  • O recado central é de prazo: mesmo que as normas legais e técnicas continuem saindo ao longo do segundo semestre, o tempo restante até 1º de janeiro de 2027 pode ser insuficiente para análise das regras, desenvolvimento, testes e atualização dos sistemas usados pelas empresas.
Comentário do Prof.Presta atenção em quem está falando, porque isso muda o peso do recado. Não é o contribuinte reclamando de imposto, é o setor que fabrica o software fiscal, a Brascom, a Fenainfo, a ABES e a Afrac, dizendo por escrito que o cano ainda não está pronto para a água que começa a passar em agosto. Quando quem constrói a ferramenta avisa que o prazo aperta, o profissional atento traduz isso numa pergunta prática lá na ponta: o meu ERP, o sistema do meu cliente, o emissor de NFS-e da prefeitura dele, tudo isso vai estar preenchendo IBS e CBS certinho em 3 de agosto? Repare no detalhe da NFS-e, que é o que mais me preocupa: a nota de serviço é municipal, e a implementação depende de cada prefeitura, então enquanto a NF-e de mercadoria caminha num trilho nacional, a nota de serviço pode chegar em agosto com município preparado e município atrasado, no mesmo país. O número dos 386 atos, com 116 só da Reforma em seis meses, não é para impressionar, é para você mostrar ao cliente por que a conta de acompanhamento normativo subiu, e por que isso é trabalho técnico que se cobra. E aqui vai a orientação universal: se você identificar um gargalo real, um layout que não saiu, um campo que a prefeitura não abriu, leve isso por escrito ao seu conselho de classe, o CRC, a OAB, a entidade que representa a sua categoria, que consolida essas demandas e as encaminha a quem regulamenta. Reclamação de corredor não vira norma, ofício da categoria vira.

🏭 Impacto setorial: a construção civil coloca a Reforma na mesa de decisão

2. A CBIC classificou a Reforma como fase decisiva, convocou encontro para 30 de julho e destacou que a ampliação do aproveitamento de créditos pode trazer ganhos de eficiência para as empresas

📅 Publicado em 13/07/2026 · Fonte: cbic.org.br
  • A Câmara Brasileira da Indústria da Construção afirma que a Reforma entrou em fase decisiva e exige preparação das empresas para 2027, ano em que a CBS passa a substituir o PIS e a Cofins, dentro da transição escalonada que segue até 2033.
  • A entidade marcou encontro para 30 de julho, com o presidente Eduardo Aroeira Almeida à frente e a participação da liderança do Projeto Reforma Tributária da casa, para alinhar o setor sobre o novo modelo do IBS, da CBS e do Imposto Seletivo.
  • No mérito, a CBIC registra que a ampliação das possibilidades de aproveitamento de créditos tributários pode trazer ganhos de eficiência para as empresas, um ponto sensível para um setor que compra muito insumo e historicamente convivia com crédito restrito.
Comentário do Prof.Esse item parece um convite de evento, e é, mas o que me interessa nele é o movimento por baixo. Quando uma entidade do porte da CBIC para tudo e marca um encontro decisivo a treze dias da virada da nota, ela está dizendo, sem dizer, que o setor ainda não está pronto e sabe disso. E a construção é um caso de escola para você entender crédito, que é o coração da Reforma. Pensa na obra: cimento, aço, concreto, aluguel de equipamento, empreitada de mão de obra, tudo isso é compra que carrega tributo. No mundo velho, boa parte desse tributo virava custo, ficava presa na cadeia e ninguém recuperava. No mundo do IBS e da CBS, com a não cumulatividade ampla, esse crédito passa a ser aproveitável, e é por isso que a CBIC fala em ganho de eficiência. Só que ganho não cai do céu: ele depende de a nota do fornecedor vir preenchida certinho, com os campos de IBS e CBS destacados, que é exatamente o assunto do item anterior. Sacou como os dois se amarram? O crédito que a construtora quer aproveitar em 2027 começa a ser construído no cadastro e na nota de agosto de 2026. Se você atende empresa de construção, incorporadora, empreiteira, o recado prático é começar agora o mapeamento de quais insumos vão gerar crédito e quais fornecedores estão prontos para destacar o tributo, porque crédito não reclamado é dinheiro deixado na mesa.

🏢 Demanda por consultoria: a Reforma já chegou, e o eixo é a integração dos fiscos

3. Em artigo de 16 de julho, o professor da FGV Eurico de Santi reforça que a CBS e o IBS já são realidade, que 2026 é período de testes sem punição e que o eixo a observar é a integração entre os fiscos e a atualização técnica de quem assessora

📅 Publicado em 16/07/2026 · Fonte: fenafisco.org.br
  • O texto parte da leitura do professor Eurico Marcos Diniz de Santi, da FGV, para afirmar que a CBS e o IBS já representam uma realidade em transformação para o sistema fiscal brasileiro, regulados pela Emenda Constitucional 132 de 2023 e pelas Leis Complementares 214 e 227 de 2025.
  • Reforça que 2026 é um período de testes e adaptação, em que os contribuintes não serão penalizados durante essa fase, o que dá margem para calibrar processos antes de a apuração passar a ter efeito real.
  • Aponta como eixos a observar a integração entre os fiscos, a expansão da Nota Fiscal de Serviços eletrônica nacional e a necessidade de atualização técnica de advogados, contadores e empresas.
Comentário do Prof.Guardo esse item para o fim de semana de propósito, porque ele é o mais estratégico dos três e o menos urgente no relógio. Quando alguém como o Eurico de Santi, que estudou a fundo o desenho da tributação no país, diz que a virada está na integração dos fiscos e não na alíquota, vale parar e ouvir. Repare no que ele coloca no centro: não é quanto vai custar, é como União, estados e municípios vão passar a enxergar a mesma operação com um dado só, cruzando informação em tempo real. Isso muda o seu trabalho mais do que qualquer percentual. No sistema que está indo embora, cada fisco via um pedaço, e a inconsistência entre eles era, muitas vezes, o espaço onde o erro passava despercebido. No sistema que chega, com a Nota Fiscal de Serviços eletrônica nacional e a integração dos bancos de dados, a informação que você lança numa ponta aparece na outra. Ou seja, a qualidade do cadastro e da nota deixa de ser detalhe operacional e vira exposição direta. E é aí que mora a oportunidade que ele chama de atualização técnica: o cliente não vai pagar bem por quem só entrega guia, vai pagar por quem entende a lógica nova e o protege dela. Na minha leitura, o profissional que usar este segundo semestre para subir de patamar técnico, e não só para apagar incêndio de prazo, é o que vai sair de 2026 valendo mais.

💡 Hook do dia

Junta os três recados de hoje e aparece a mesma imagem que atravessou a semana: encanamento. Quem fabrica o software avisa que o cano aperta. Quem constrói prédio quer garantir que o crédito passe pelo cano sem vazar. E quem pensa o sistema diz que a novidade real é que agora todos os fiscos veem a água correndo pelo mesmo cano, ao mesmo tempo. Percebe que nenhum dos três é sobre quanto se paga? Enquanto o mercado inteiro fica hipnotizado pela pergunta da alíquota, o profissional que sai na frente está checando o cadastro, o layout da nota e a prontidão do fornecedor. Tá? Em agosto, e mais ainda em 2027, ganha dinheiro quem cuidou do cano enquanto os outros discutiam o preço da água.

📅 Próximas águas a observar

  • 31 de julho, a 13 dias: encerra a tolerância do preenchimento facultativo dos campos de IBS e CBS nos documentos fiscais eletrônicos.
  • 3 de agosto, a 16 dias: a alíquota-teste de 1% torna-se obrigatória para o regime regular, e a nota sem os campos de IBS e CBS passa a ser rejeitada.
  • 30 de julho: encontro da CBIC sobre a Reforma na indústria da construção, sinal de como o setor vai se posicionar na reta final de adaptação.
  • 1º a 30 de setembro: janela em que o optante do Simples Nacional decide entre o regime híbrido e o regime regular de IBS e CBS, com efeitos já em 2027.
  • Até 3 de outubro, a 77 dias: prazo para a lei com as alíquotas do Imposto Seletivo estar em vigor, pela noventena, caso o tributo valha em 1º de janeiro de 2027.

📌 Para acompanhar e se aprofundar

  • Acompanhe o Termômetro todo dia no blog: blog.professorfellipeguerra.com.br/blog
  • A tarefa curta e de alto retorno deste fim de semana é uma só: escolha os cinco maiores clientes do regime regular e confirme, por escrito, que o sistema deles emite com os campos de IBS e CBS preenchidos, e faça a mesma pergunta aos principais fornecedores desses clientes. Quem descobre o gargalo agora ainda tem julho para resolver.
  • As inscrições do curso Dominando a Reforma Tributária estão abertas: professorfellipeguerra.com.br/reforma-tributaria-v2
O sábado fecha uma semana que repetiu o mesmo recado por caminhos diferentes: a Reforma vai ser sentida primeiro no encanamento, não no bolso. O software que precisa ficar pronto, o crédito que a obra quer aproveitar e os fiscos que agora enxergam a mesma operação, tudo isso chega antes da alíquota. Então aproveite o fim de semana para pensar grande e agir pequeno: entenda a lógica nova com calma, e depois escolha um cliente para começar a arrumar o cano já na segunda. Um passo firme vale mais que dez manchetes lidas com pressa. Segunda eu volto com você, mesma maré, de olho no relógio que bate. Fiquem com Deus, e um ótimo fim de semana.

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