🏛️ Frente política: a Reforma entra na temporada eleitoral
1. No evento Caminhos do Brasil, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, sinaliza que o governo pode segurar o Imposto Seletivo para 2028, mantendo a carga tributária de 2027 no mesmo patamar, e começa a conversar com os setores impactados já na semana que vem
- Falando nesta quinta, 2 de julho, no evento Caminhos do Brasil, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, indicou que o governo quer conversar com os setores para que o Imposto Seletivo passe a valer só em 2028. A ideia, nas palavras dele, é "manter a carga tributária para 2027" e usar o próximo ano de transição como "um ano de debate de como deve vir o imposto seletivo a partir de 2028".
- O pano de fundo é o calendário já desenhado: em 2027 o IPI deixa de valer e entra a cobrança cheia da CBS, e o Imposto Seletivo, o chamado imposto do pecado, estava previsto para acompanhar essa virada. Segurar a carga do Seletivo no patamar de 2027 é, na prática, evitar um aumento de imposto sobre os setores atingidos bem no meio do calendário eleitoral.
- Durigan disse que as conversas com os setores especialmente impactados pelo Seletivo devem começar já na semana que vem. A lista de incidência do imposto, prevista na Lei Complementar 214 de 2025, alcança produtos como cigarros, bebidas alcoólicas, bebidas açucaradas, e ainda apostas e mineração, então o desenho final interessa a muita cadeia produtiva.
2. No mesmo evento, Durigan rebate a ideia da oposição de suspender a Reforma por um ano e reabrir as regras com um IVA de 20 por cento, e lembra que a neutralidade da carga já está na Constituição
- A provocação veio da oposição: o pré-candidato Flávio Bolsonaro defendeu suspender a Reforma por um ano para rever as regras, aventando a possibilidade de um IVA na casa dos 20 por cento, abaixo das projeções que hoje trabalham com algo entre 26 e 29 por cento para a soma de IBS e CBS.
- Durigan não fugiu do tema. Nas palavras dele, "a oposição foi contra a Reforma em grande medida durante a tramitação. Ser contra agora não me espanta. Mas acho que tem um pouco uma visão desse pré-candidato da oposição, que é uma visão do passado".
- E ancorou a resposta na regra que já está posta: a Emenda Constitucional 132 de 2023 determina a neutralidade da carga tributária, ou seja, a alíquota final tem que ser calibrada para não aumentar o peso global dos tributos sobre o consumo, e não é um número escolhido a dedo no discurso de campanha.
🚨 Régua da nota: o governo abre a porta para discutir a prorrogação das multas de 3 de agosto
3. Ainda no Caminhos do Brasil, Durigan afirma que não tem problema em discutir a prorrogação das multas por nota sem os campos de IBS e CBS, previstas para 3 de agosto, mas condiciona a decisão à conversa com a equipe técnica
- Perguntado sobre o marco de 3 de agosto, quando começam a valer as penalidades para o documento fiscal do regime regular emitido sem os campos de IBS e CBS, o ministro respondeu que a data não é uma pedra. Nas palavras dele, "não tenho problema em discutir a prorrogação disso, se de fato formos convencidos, e tenho conversado diariamente com a equipe que cuida dos sistemas".
- E emendou a frase que dá o tom da fase: "esse não é um ano de punição, é um ano de aprendizado". A leitura do governo é a de que 2026 serve para os contribuintes e os sistemas se ajustarem, e não para o Fisco arrecadar multa em cima de erro de preenchimento.
- O detalhe que não pode escapar: abrir a porta para discutir não é adiar. Até que saia um ato formal em sentido contrário, o marco de 3 de agosto continua de pé, e a adequação dos sistemas de emissão segue com prazo até 31 de julho, conforme o cronograma já publicado. É sinalização política, não é norma.
🚨 Deadline do mês: o marco da nota fiscal é 3 de agosto, e faltam 31 dias
Faltam 31 dias para o marco de 3 de agosto, quando a empresa do regime regular que emitir documento fiscal sem os campos de IBS e CBS deixa o terreno da simples penalidade e passa ao risco de ter a nota rejeitada, ou seja, pode não conseguir faturar. O prazo para adequar os sistemas de emissão ao regulamento do IBS encerra antes, em 31 de julho, conforme o cronograma do Ato Conjunto RFB e Comitê Gestor do IBS número 1, de dezembro de 2025. A novidade de hoje mexe com a leitura desse relógio, mas não com o relógio: o ministro da Fazenda sinalizou, no evento Caminhos do Brasil, que o governo está aberto a discutir a prorrogação das multas, chamando 2026 de ano de aprendizado. Só que sinalização não é ato publicado, e por isso a régua para você é simples e não muda: enquanto não sair norma nova, trate 3 de agosto como definitivo. Use esta sexta para fechar a pergunta, por cliente do regime regular: o fornecedor do sistema dele já está pronto para o leiaute obrigatório de agosto, e você consegue rodar uma emissão de teste em homologação ainda nesta semana? Quem testa agora atravessa agosto sem sobressalto, com ou sem prorrogação. Quem deixar para a virada apostando num adiamento que talvez não venha vai descobrir o problema no pior momento possível.
💡 Hook do dia
O fio que costura a sexta é um só, e vale guardar: a partir de agora a Reforma vai viver dois relógios ao mesmo tempo, o técnico e o eleitoral, e o seu trabalho é não confundir os dois. O relógio técnico é o que já está na Constituição e na lei, com data marcada, sistema para adequar e nota para emitir, e ele corre independente de quem ganha eleição. O relógio eleitoral é o do discurso, o do talvez adie, o do e se baixar para 20 por cento, o do suspende por um ano, e ele serve para agitar, não para reger a sua rotina. O próprio ministro deu a senha ao dizer que o maior risco da Reforma, agora, é querer revisitar o acordo político que tanto custou a fechar. Traduzindo para o seu balcão: o cliente vai chegar com a ansiedade do relógio eleitoral, e você tem que devolver a calma do relógio técnico, o que está valendo, o que tem data, o que precisa ser feito esta semana. Quem sabe separar o que é norma do que é campanha orienta bem. Quem mistura os dois vende medo ou vende falsa tranquilidade, e nenhum dos dois ajuda o cliente. Tá?
📅 Próximas águas a observar
- Semana de 07/07/2026: previsão de início das conversas do Ministério da Fazenda com os setores impactados pelo Imposto Seletivo, para desenhar o cronograma do imposto a partir de 2028.
- 07/07/2026: live setorial do Portal da Reforma Tributária sobre os impactos da Reforma no setor de alimentos, às 19h.
- 10/07/2026: prazo previsto para a implantação, em homologação e produção, das tabelas atualizadas de classificação tributária e de crédito presumido da versão 1.60 do Informe Técnico 2025.002.
- 31/07/2026: encerra o prazo para adequar os sistemas de emissão de nota ao regulamento do IBS, conforme o cronograma do Ato Conjunto RFB e Comitê Gestor do IBS número 1 de 2025, e vence também o prazo para o Executivo enviar ao TCU a proposta das alíquotas de referência.
- 03/08/2026: início da obrigação de preencher os campos de IBS e CBS no documento fiscal do regime regular, em produção, com a falta levando à rejeição da nota. Faltam 31 dias.
- 15/09/2026: prazo para o TCU entregar ao Senado os cálculos das alíquotas de referência do IBS e da CBS.
- 04/01/2027: início da produção obrigatória da NF-e com IBS e CBS para Simples Nacional, excesso de sublimite e MEI, prazo derivado do artigo 348 da Lei Complementar 214 de 2025.
📌 Para acompanhar e se aprofundar
- Acompanhe o Termômetro todo dia no blog: blog.professorfellipeguerra.com.br/blog.
- Se você quer dominar a Reforma na prática, do enquadramento da operação e da classificação tributária ao local de incidência, ao crédito, ao Imposto Seletivo, ao split payment e à convivência dos dois sistemas na transição, as inscrições do curso Dominando a Reforma Tributária estão abertas.
Prof. Fellipe Guerra
Fontes consultadas: jornaldebrasilia.com.br, agenciabrasil.ebc.com.br, reformatributaria.com, cgibs.gov.br.
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