🏛️ Movimentação política: o Congresso abre a disputa do teto do Simples, e não só do MEI
1. O governo enviou o PLP 186 de 2026 para elevar apenas o teto do MEI, mas a comissão especial da Câmara quer atualizar o Simples inteiro
- O governo enviou ao Congresso, em 29 de junho, o Projeto de Lei Complementar 186 de 2026, que trata só do microempreendedor individual. A proposta eleva de forma escalonada o teto de faturamento do MEI, dos atuais 81 mil reais ao ano para 110 mil reais em 2027 e 140 mil reais a partir de 2028.
- Ficam intactos, no texto do governo, o teto da microempresa, hoje em 360 mil reais ao ano, e o da empresa de pequeno porte, hoje em 4,8 milhões ao ano. É justamente essa limitação que a comissão especial da Câmara não engoliu.
- O relator do colegiado, deputado Jorge Goetten, do Republicanos de Santa Catarina, quer um texto amplo, que atualize o Simples por inteiro. Na conta dele, mexer só na ponta cria distorção: "Se atualizar só a 1ª faixa do MEI a R$ 140 mil, estamos desincentivando" o crescimento dos negócios. A presidente da comissão, deputada Any Ortiz, do PP do Rio Grande do Sul, reforça que "a gente não pode separar um do outro, porque o Simples Nacional também faz parte". O relatório está previsto para a segunda semana de julho, com a comissão tentando fechar acordo antes do recesso.
💻 Documento fiscal: a semana da virada do CNPJ alfanumérico
2. Entra em produção nesta quarta, 8 de julho, a nota técnica que adapta o serviço de distribuição da nota ao CNPJ alfanumérico, num ajuste assinado também pelo Comitê Gestor do IBS
- Nesta quarta, 8 de julho, entra em produção a nota técnica 2014.002 na versão 1.40, que atualiza o Web Service de Distribuição de Documentos Fiscais Eletrônicos para aceitar o CNPJ alfanumérico. A mudança de fundo é simples de descrever e trabalhosa de aplicar: "a principal mudança é a substituição do tipo numérico ('N') pelo tipo caractere ('C') nos campos de CNPJ" dos leiautes do serviço.
- O detalhe que amarra esse ajuste ao nosso universo é a autoria: a nota técnica é assinada pela Receita Federal, pelo Comitê Gestor do IBS e pelo Encat. É o mesmo trio que está costurando a infraestrutura do documento fiscal na Reforma, agora garantindo que o novo formato de CNPJ conviva com toda a máquina da nota.
- E ela não corre sozinha: na emissão, os campos de CNPJ alfanumérico já entraram em produção em 1º de julho, pela nota técnica 2026.004. Ou seja, a virada acontece em duas etapas na mesma semana, primeiro quem emite, agora quem distribui e consome a nota.
🚨 Deadline do regime regular: 3 de agosto, e faltam 28 dias
O marco que organiza o mês continua sendo o de 3 de agosto. Segundo o próprio Comitê Gestor do IBS, "a partir de 03 de agosto de 2026, não será permitida a emissão de documentos fiscais eletrônicos sem o preenchimento dos campos relativos ao IBS e à CBS" para as empresas do regime regular. E o recado sobre o custo de não cumprir é técnico, não uma multa a discutir depois: "sem o preenchimento correto das informações de IBS e CBS, as notas não serão autorizadas, pois o sistema rejeitará automaticamente documentos incompletos". A alíquota desse período de teste é de 1%, sendo 0,1% de IBS e 0,9% de CBS, com caráter informativo. O ângulo desta segunda é de planejamento de agenda: você tem quatro semanas cheias pela frente, e o jeito de não chegar apertado em agosto é fatiar o trabalho agora, cliente a cliente, começando pelos que mais emitem nota, para que a virada do dia 3 seja um não evento no seu escritório.
💡 Hook do dia
Repare no fio que costura os dois assuntos de hoje. No Congresso, a briga é sobre onde fica a linha que define quem é MEI, quem é microempresa e quem entra no regime regular. No documento fiscal, a virada do CNPJ alfanumérico e a régua de agosto definem como cada um desses vai emitir a nota daqui para a frente. Percebe? Enquadramento e emissão são os dois lados da mesma moeda, e é nessa moeda que o seu trabalho vai ser medido nos próximos anos. O cliente não vai te procurar porque você decorou a alíquota, vai te procurar porque você sabe em que faixa ele fica, quanto isso custa e se a nota dele vai passar no dia 3 de agosto. Então a pergunta que fica para começar a semana é essa: você sabe, hoje, em qual faixa cada cliente da sua carteira está e o quão perto ele está do teto que o Congresso está mexendo? Quem tem essa resposta na ponta da língua já está um passo à frente. Tá?
📅 Próximas águas a observar
- 08/07/2026: entra em produção a nota técnica 2014.002, versão 1.40, que adapta o serviço de distribuição de documentos fiscais eletrônicos ao CNPJ alfanumérico, complementando a emissão, que já valia desde 1º de julho. Faltam 2 dias.
- 10/07/2026: prazo para as tabelas atualizadas de classificação tributária e de crédito presumido da versão 1.60 do Informe Técnico 2025.002 entrarem em homologação e produção nos emissores. Faltam 4 dias.
- 2ª semana de julho: previsão de entrega do relatório da comissão especial da Câmara sobre o teto do Simples e do MEI, na disputa entre o PLP 186 do governo, restrito ao microempreendedor, e a proposta ampliada defendida pelo relator.
- 31/07/2026: encerra o prazo para adequar os sistemas de emissão de nota ao regulamento do IBS, conforme o Ato Conjunto RFB e Comitê Gestor do IBS número 1 de 2025. Faltam 25 dias.
- 03/08/2026: início da obrigação de preencher os campos de IBS e CBS no documento fiscal do regime regular, em produção, com a falta do preenchimento levando à rejeição da nota pelo sistema. Faltam 28 dias.
- Aguardado: a publicação do ato conjunto entre a Receita e o Comitê Gestor do IBS detalhando, documento por documento, as hipóteses e os momentos de emissão de cada nota, inclusive de modelos novos como a NFAg e a NF-e ABI.
📌 Para acompanhar e se aprofundar
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Prof. Fellipe Guerra
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